Entrevista - Rain of Reflections será um RPG diferente de tudo que você já viu | Sem Tilt

Entrevista – Rain of Reflections será um RPG diferente de tudo que você já viu


RoR

“Esta é minha história. Esta é sua história. Esta é nossa história. Até o fim.”


No fim do mês de Janeiro, o mundo dos jogos indie foi atingido por uma agradável surpresa. O recém formado estúdio sueco Lionbite Games liberou um teaser anunciando seu primeiro trabalho: Rain of Reflectionsum interessante projeto cyberpunk que promete revolucionar o gênero dos RPGs.

Ainda é muito cedo para dizer se a ambiciosa promessa tem fundamento, mas uma coisa é certa: o pouco do que foi mostrado do jogo impressiona, e muito. Se ainda não checaram o teaser, confiram abaixo e se arrepiem!

Segundo os desenvolvedores, Rain of Reflections quebrará todas as convenções tradicionais dos RPG, oferecendo uma experiência curta, porém muito intensa. Então esqueçam fillers, sidequests sem sentido ou missões desnecessárias. O jogo promete um enredo focado e altamente dependente das escolhas do jogador, obrigado a conviver com importantes e irreversíveis decisões.

E não é só a estória que promete. As batalhas oferecerão alternativas opostas ao bom e velho “atinja todos os inimigos até que parem de se mexer”. Os jogadores poderão sair vencedores dos confrontos utilizando apenas técnicas de persuasão e convencimento, sem derrubar uma gota de sangue sequer. Segundo a Lionbite, esta outra maneira de encarar os duelos do game fará com que cada um deles seja único, influenciando diretamente no enredo do jogo.

Bom, nós do Sem Tilt não poderíamos ficar de braços cruzados frente a um projeto tão interessante. Então conversamos com Victor Lionhead, o fundador da Lionbite Games, que nos explicou um pouco mais das ideias do seu time para Rain of Reflections.

Confira a entrevista!

Henrique – De onde vem o título “Rain of Reflections”?

Oh, na verdade há um grande spoiler no título que ninguém descobriu ainda, e estou certo de que ninguém descobrirá até jogar o jogo. Por enquanto, eu deixarei as pessoas pensarem que se trata apenas de um título estúpido e sem sentido que se refere literalmente às reflexões da chuva.

Henrique – O jogo está sendo desenvolvido há quanto tempo?

O jogo ficou em pré-produção por 6 meses, com apenas o time principal conceitualizando tudo e eventualmente criando um “marco” no desenvolvimento. Nós aumentamos o time e entramos na fase de produção apenas uns poucos meses atrás.

Henrique – A partir do teaser, podemos ver que o jogo se desenrolará numa cidade distópica e cheia de conflitos. O que ocorreu nesse lugar?

Isso é algo que vocês terão de descobrir! Eu prometo que o lore é muito bem construído, num nível no qual o jogador nem conseguirá entender a magnitude, pelo menos não durante o primeiro jogo.

Henrique – Em que nível as ações e escolhas do jogador irão influenciar o destino dos personagens e da estória?

É uma questão de vida ou morte, e eventualmente o destino de uma cidade inteira. Nosso objetivo é fazer com que o jogador se sinta responsável por todas as ações e lide com as consequencias. Não há um botão de “refazer”, não há tela de game over e nenhum tipo de retry a partir do checkpoint.

Henrique – Você pode nos falar um pouco sobre os protagonistas do jogo? Seus caminhos são entrelaçados ou iremos acompanhar três diferentes estórias?

Nós queremos mostrar para o jogador que existem não apenas contrastes, mas nuances em tudo. Desse modo, haverá uma maneira tridimensional de se experimentar tudo que desenrolará, e cada perspectiva dará tons diferentes para a estória.

Henrique – Em que gênero se encaixa o combate de Rain of Reflections?

Eu diria que é uma nova e única combinação de estrátegia por turnos e tempo real, misturada com RPG e até elementos de point and click.

Henrique – No site do game, há menção à uma “única mecânica de moral” envolvida no combate. Você poderia nos contar um pouco mais sobre esse fator e suas consequências?

Sim, a mecânica de moral é o que essencialmente tornará as batalhas algo além de “acertar os inimigos e tomar o menor dano possível”. As disputas serão construídas em torno de motivação – um verdadeiro cabo de guerra – e existirão diversas maneiras de superar seus inimigos sem utilizar de violência letal. Isso nos permite contar a estória do jogo até mesmo durante as batalhas, usando diálogo, distrações e táticas ardilosas como armas. Acho que isso combina muito bem com a narrativa do jogo, e quero que o jogador realmente sinta que tirar uma vida – qualquer vida – é uma escolha difícil.

Henrique – Foi dito que o jogo não terá grinding ou repetições, algo que realmente nos interessou. Como os desenvolvedores estão trabalhando para implementar essa ambiciosa ideia?

O segredo é evitar fillers, algo não apenas aceito como também encorajado pelos gamers. O valor de um game é medido pela quantidade de tempo que ele consome, e acredito que este seja um julgamento errado. Nós queremos contar nossa estória apenas usando o necessário, fazendo cada encontro, cada ambiente e cada turno uma única e memorável parte da experiência como um todo. Isso significa que não há grinding e nem nada que seja irrelevante para o enredo, os personagens e o mundo.

Henrique – Nós iremos ver elementos padrão de RPG como “níveis” e “stats” no game, ou vocês estão pensando em algo diferente para o desenvolvimento dos personagens?

A minha ambição com o jogo é a de desafiar as convenções do gênero de RPG. Eu quero me esforçar para que tudo se balance em cima de uma progressão realística e crível. Enfim, haverá progressões e desenvolvimento dos personagens, mas de um jeito diferente de tudo que você já viu.

Bhernardo – Em resposta a uma das perguntas, você disse “neste primeiro jogo”. Você já está planejando uma sequel para Rain of Reflections?

Ainda é muito cedo para dizer, mas nós criamos um universo que oferece muito mais do que podemos revelar ou contar no enredo do primeiro jogo. Mas é claro, no final das contas isso depende de como Rain of Reflections será recebido pelos jogadores.

Henrique – Tem mais algo sobre o jogo que você queira contar aos nossos leitores?

Eu espero que as pessoas entendam o que estamos tentando atingir com Rain of Reflections, e que entendam que é um trabalho de amor feito por um estúdio indie pequeno, porém ambicioso. Nós não temos a quantidade de recursos de um projeto AAA, mas estou tentando tornar nossas limitações em força, constantemente lembrando o time de que nosso trabalho é sobre qualidade, e não quantidade. A narrativa é intensa, e espero que deixe os jogadores querendo mais. Nós adoraríamos fazer mais.

Eu já tenho 31 anos, e sinto que meu tempo é limitado e preciso de experiências que ofereçam algo mais focado. Eu amo a maneira com a qual os videogames conseguem te envolver, e como uma atmosfera realmente envolvente te faz querer adentrar no mundo de um jogo. Rain of Reflections realmente fornecerá algo assim.

Nós gostaríamos de agradecer Victor Lionhead por responder essas perguntas e nos dar várias informações interessantes sobre seu mais novo projeto. Esperamos que vocês tenham gostado da entrevista!

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Henrique Castilho

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