Prévia de Karts - Corrida Maluca no tabuleiro | Sem Tilt

Prévia de Karts – Corrida Maluca no tabuleiro


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Mais uma vez fui ao Jogasampa, mas dessa vez com uma meta bem definida em mente: conhecer de perto o jogo brasileiro Karts e jogá-lo com seu autor, Hendric Sueitt. Chegando no evento, logo o encontrei terminando uma partida de SmallWorld, e então ele começou a explicar o jogo para mim e para mais um casal de jogadores antes de começar a partida.

Karts é um boardgame de corrida para 2 a 6 jogadores que, ao contrário da maioria, quase não usa dados e ainda assim consegue reproduzir a emoção de ultrapassagens constantes como em uma corrida real de kart com os amigos. É como se os corredores do desenho Corrida Maluca de Hanna-Barbera usassem karts em pequenas pistas alienígenas e fosse feito um boardgame disso tudo.

A pista é feita de hexágonos, e todos os corredores andam na sua vez uma quantidade de até no máximo 6 deles. Nós começamos por escolher cada um o seu personagem dentre os 12 existentes, e acabei optando pelo corredor pássaro barrigudo Zemzit, que tem como poderes especiais voar por cima da pista e ativar um escudo temporário de imunidade. O casal escolheu o dragão Katar e a mecânica Lika, e Hendric escolheu a alien Papua, que faz pequenos clones de si mesma para jogá-los na pista. Essas habilidades especiais consomem cristais, que estão espalhados pela pista para serem pegos por quem passar por cima, coisa que quase todos nós fizemos sempre que possível.

Durante a corrida e principalmente na largada, as trombadas entre os karts foram muito comuns, seja pelo corredor não ter outro caminho, seja por propositalmente empurrar o colega para fora da pista e criar uma maior vantagem sobre ele. Afinal, vale (quase) tudo pelo espetáculo! Passar por trás do adversário para pegar o vácuo e usar um cristal para dar aquele boost também vale. No meio da corrida, quando ficou na lanterna a mais de 4 hexágonos de distância do penúltimo corredor, Lika ganhou 2 pontos de movimento no seu turno por conseguir se concentrar mais na pista do que nos seus adversários caóticos. Pouco depois, a energia liberada dos cristais consumidos pelos corredores se acumulou e ativou um evento aleatório na pista da selva em que corríamos que, no caso, foi um terremoto que mudou a posição de cada jogador aleatoriamente, quase jogando um de nós para fora da pista.

Mais para o final da corrida, consegui me distanciar dos outros 3, mas em pouco menos de duas rodadas, quando já estava entrando na reta final, todos já estavam na minha traseira. Papua bloqueou uma parte estreita da pista logo à minha frente com seus mini-clones, que mexem no seu volante aleatoriamente, como se fossem tachinhas do Dick Vigarista. A energia liberada dos cristais acordou um babuíno selvagem que começou a pular de corredor em corredor, atrapalhando na direção de todos. Lika saiu logo atrás, dando uma volta maior para contornar os clones. E Katar, pegando o vácuo da Lika, foi na fé em direção à linha de chegada, passando pelos clones que começaram a competir com ele na própria direção, olhando mais para o volante dominado pelos clones do que para a pista, conseguiu mesmo assim com um pouquinho de sorte, cruzar em primeiro.

Ao contrário de jogos de corrida mais conhecidos como o Formula D, onde um pequeno erro pode te deixar muitas rodadas de distância para trás do seu adversário e dificilmente será possível alcançá-lo, Karts tornou a experiência de uma corrida menos estressante sem precisar pensar em cada detalhe de sua jogada como em um jogo de xadrez, e sempre te dando uma chance real de vencer, até para o último lugar nas últimas rodadas antes do fim da pista. Outro ponto importante é que mesmo usando um número fixo para o movimento, a interação entre os corredores é tão grande que no final é indiferente se você começou a pista em primeiro ou em último. Todos os corredores estão quase sempre próximos um do outro, sempre com chance de passar alguém ou ser ultrapassado. E assim como no Mario Kart, sempre tem aquele casco azul no fim da corrida que te faz perder o primeiro lugar mantido por toda a pista.

Conversando um pouco mais com Hendric sobre o jogo, ele me contou que começou com a ideia para uma HQ, que conta a história de Haro, o representante dos humanos na Liga Interplanetária de Karts, escolhido e abduzido pelos alienígenas por ser o campeão de Kart na liga PSN de seu planeta. Hendric já tinha feito 5 páginas, e então em uma noite antes de dormir, do nada veio a ideia do jogo, já quase completo.

“O jogo surgiu como um download, veio quase que completinho na minha cabeça. Anotei o principal e fui dormir”, disse.

Com o tempo, ele foi adaptando os poderes dos corredores para funcionarem no tabuleiro, e depois disso passou a levar o Karts em eventos de jogos de tabuleiro e online para que as pessoas pudessem jogar e darem novas ideias e sugestões de melhorias a serem incorporadas no jogo, como um open beta para um boardgame. Agora só resta o financiamento por distribuidoras nacionais ou por financiamento coletivo, e o jogo em breve já estará disponível no Brasil.

Para saber mais informações sobre o jogo, regras, ou sobre a versão print and play, acesse e curta a página no facebook de Karts.

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Rodrigo Consoli

Gamer desde os 7 anos, sempre disposto a explorar coisas novas ou diferentes do que eu já conheço. Já que não achei uma faculdade de magia reconhecida pelo MEC, fico como cientista mesmo...