Uma conversa com Lucas Molina sobre Painters Guild | Sem Tilt

Uma conversa com Lucas Molina sobre Painters Guild


Durante o período da Renascença Italiana, as guildas de artistas em Florença foram grandes centros de criação e controle de qualidade de obras artísticas do período. Em um dado momento, essas mesmas guildas tiveram papéis importantes na política da cidade e marcaram sua história para sempre.

Baseado neste marco da História da Arte, o desenvolvedor brasileiro Lucas Molina está produzindo Painters Guild, um jogo de administração de pessoas e recursos que acontece em uma dessas guildas de artistas em Florença em 1466, porém com visual em pixel art. “A ideia veio do meu amor pela arte. Queria um jogo que falasse de história e arte, mas quase todos os jogos estão mais interessados em matança. Eu sempre gostei de desenhar e, depois de estudar História da Arte, fiquei com vontade de fazer um jogo sobre o assunto,” conta Lucas.

O principal objetivo em Painters Guild é controlar a expansão da guilda, os artistas e suas obras, garantindo que todos sobrevivam pelo maior período possível. Claro que tudo pode acabar em caos e falência, como explica Lucas: “Às vezes [o gerenciamento] pode ficar bastante complicado com todas as situações do jogo: muitos quadros pra pintar, pouca tinta (os artistas precisam misturar tinta), viagens, doenças, prisões… Se não há dinheiro pra pagar as despesas da guilda, os artistas vão saindo um por um, até que não sobra ninguém e o jogo acaba.”

Como é comum em jogos de gerenciamento, à medida que seu espaço vai aumentando, a qualidade e o nível de seus artistas também deverá aumentar, assim como a importância de sua guilda na região. Não pense que será simplesmente sair recriando a “Mona Lisa” e “O Nascimento de Vênus” em pixel art logo de cara. O caminho pode ser longo para alguns de seus artistas: “Os artistas iniciantes são bem mais limitados no jogo. Eles são lentos e pintam mal, então não conseguem nem terminar um quadro mais difícil e, se conseguem, o quadro é vendido por muito pouco por falta de beleza. Há 3 ranks de artistas, [que são] baseados no sistema de guildas histórico: aprendiz, ‘jornadeiro’ (journeyman) e mestre. O artista vai desenvolvendo suas habilidades e precisa passar pelo rito de passagem de cada fase para ir para a próxima. O aprendiz precisa viajar durante pelo menos 2 anos para voltar e ser considerado um journeyman. Depois, para se tornar um mestre, precisa criar uma obra-prima, que ficará com a guilda. Se ele falhar, não poderá tentar nunca mais, e se descobrirem que outro artista pintou no lugar dele (isso é possível no jogo), ele perderá a posição de mestre e a guilda perderá prestígio. Todos esses sistemas são baseados na história do Renascimento,” explica Lucas.

Pra quem ficou interessado em saber mais sobre as obras que estarão presentes no jogo, Painters Guild terá obras já criadas e algumas inventadas. O desenvolvedor conta que “Os jogadores vão encontrar tanto obras famosas, como A Criação de Adão do Michelangelo, quanto obras menos conhecidas do Renascimento e algumas obras inventadas também. A maioria, no entanto, são versões pixel art de obras reais.”

O jogo já está listado na Steam e, de acordo com Lucas, tem lançamento previsto para 1 de setembro para PC. Lucas comentou que: “Dependendo do sucesso da versão Windows no Steam, lançaremos em outras lojas e para outros sistemas também.” Para outras informações sobre Painters Guild, visite o site oficial do jogo.

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Bhernardo Viana

Amante do pão de queijo e do cafézim, começou a brincar no meio dos indies e não parou mais. Um grande fã de puzzles e de jogos alternativos, experimentais e malucos. É o Editor-Chefe do Sem Tilt e ex-redator no site e na revista da Indie Game Magazine.