O Pokémon que eu queria ter | Sem Tilt

O Pokémon que eu queria ter


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Com o lançamento de Pokémon GO se aproximando, comecei a pensar mais e mais sobre como seria ter pokémons na realidade. Não, não amadureci nada nesse aspecto desde meus doze anos de idade. Após refletir muito, concluí que existe um pokémon específico que eu gostaria de ter no mundo real.

Antes de falar qual foi o grande escolhido, vamos por partes. Comecemos apresentando Pokémon GO para todos, especialmente aos que estavam escondidos num bunker com medo do apocalipse maia que obviamente não aconteceu em 2012 e resolveram sair de lá e visitar justamente este site para saber tudo o que aconteceu nos últimos três anos e meio.

Pokémon GO será um jogo para smartphones desenvolvido pela Niantic em conjunto com a Pokémon Company e a Nintendo em que usamos a câmera do aparelho para ver pokémons em Realidade Aumentada (Augmented Reality, em inglês), ou seja, como se eles estivessem no mundo real mas só são visíveis através da tela do celular. Será possível capturá-los assim como nos jogos tradicionais da série, mas ao invés de viajarmos com nosso personagem por um mundo fictício, será preciso se locomover no mundo real para diferentes lugares para encontrar diferentes monstros.

Se você vai com seu aparelho para uma praia, por exemplo, você encontrará mais pokémons de água, se for para um parque, pokémons inseto e grama, se for para os esgotos da sua cidade, Grimers e Trubbishes. Este último exemplo eu inventei, mas deu pra pegar a idéia.

Além de colecionar os monstros, também haverá batalhas pokémon entre jogadores, e até mesmo uma mecânica de ginásios em locais reais que podem ser conquistados e defendidos com seus pokémons. Se este game realmente cumprir tudo que promete, ele vai ser o mais próximo que teremos da experiência de ser um mestre pokémon de verdade.

Por isso comecei a ruminar com meus botões sobre qual pokémon eu gostaria de ter no mundo real.

Comecei pelo Snorlax, um dos meus favoritos da primeira geração. Parece ser um ótimo pokémon para se ter em casa como pufe, já que ele efetivamente inspirou um pufe de verdade (link em japonês). Seria super confortável, espaçoso e provavelmente quentinho. Mas aí eu pensei em como fica a caixa de areia só com meus dois gatos de tamanho normal e mudei de idéia.

Mas que seria confortável, seria…

Lembrei então do Lapras, de preferência com Surf. Ia ser uma maneira interessante de viajar, talvez fazer um mochilão visitando todas as praias do Brasil. Só que aí eu lembrei o quanto eu odeio quando a água do mar seca e fica aquela crosta de sal desagradável na pele, além de que imagino que com toda a poluição nos mares brasileiros o meu pobre pokémon ia ficar doente, e não duma maneira boa, com pokérus, mas duma maneira horrível e dolorosa e fatal. Nessa, melhor desencanar também do Wailord e qualquer outro pokémon de água com o objetivo de viajar pelo mar.

Mas viajar parece uma idéia boa, então por que não um Latias ou um Latios? Com a habilidade Soar deles, introduzida em Omega Ruby e Alpha Sapphire (Game Freak, 2014), eles seriam uma maneira interessante e, principalmente, barata de voar pelo mundo. Também parece mais confortável que usar Fly com outro pokémon, a maneira como esses dois voam deve ser bem mais estável, sem contar que não preciso efetivamente capturar um deles, basta ter a Eon Flute. Agora que estou pensando, acho que seria possível fazer toda uma companhia aérea em torno da Eon Flute e os dois lendários, ia ser uma maneira mais fácil de enriquecer do que ficar roubando colecionadores de insetos e crianças.

Só que aí eu lembrei que a uma altitude muito grande faz muito, mas muito frio. Sem contar a questão do ar rarefeito. Ia dar pra eu voar para Tokyo e conhecer o maior centro pokémon do mundo de graça? Ia, mas eu provavelmente ia morrer de hipotermia no processo, ou desmaiar por falta de ar e cair da minha montaria. Não ia ser legal. E imagina a quantidade de processos que iria ter pra cima da minha companhia aérea se todo passageiro literalmente morre de frio? Melhor desencanar de voar com pokémons.

Mas que poderia ser divertido, poderia…

Resolvi tomar então uma atitude mais pragmática e capitalista e ir direto ao que importa: dinheiro. Logo, o ideal seria ter um Meowth com Pay Day. Pronto! Todos os meus problemas resolvidos.

Mas então percebi o grande problema disso, que é o câmbio. Pay Day paga em poké-dólar. Uma moeda que não é aceita em nenhum lugar do mundo. Ou seja, seria o mesmo que ter uma impressora de dinheiro de Banco Imobiliário. Inútil.

Foi aí que comecei a desanimar. Sério que nenhum dos mais de setecentos Pokémons iria ser interessante de se possuir no mundo real? Como não sou um tarado, não me interesso pela Gardevoir ou a Lopunny. Podia arranjar um Smeargle para desenhar o meu fanfic em quadrinhos de quando a Enterprise-D aterriza na Terra-Média, mas ele me parece ser mais um apreciador de arte abstrata, não sei se conseguiria passar toda a carga emocional do encontro do capitão Picard com o Aragorn. Um Clamperl para ter a pérola mais rara do mundo? Soa interessante, mas o Huntail e o Gorebyss são uns bicho feio que dói, não sei se ia querer ter desses em casa. Talvez um Arceus para abrir uma igreja, mas não creio que eu seja inteligente o bastante para lidar com as complicações teológicas de trazer um criador de universos para a nossa realidade.

Quando eu tinha praticamente desistido e me conformado que a melhor opção seria mesmo um Chimecho para pendurar na janela do meu quarto, encontrei a resposta. Rotom.

As diversas formas do Rotom.

Sim, este simpático pokémon fantasma/elétrico é o pokémon que eu gostaria de ter no mundo real. Para quem não o conhece, ele possui o poder de possuir máquinas elétricas, uma característica que é trabalhada no jogo mudando seu tipo fantasma para outro relacionado à máquina em questão. Quando ele possui uma geladeira, por exemplo, ele se torna elétrico/gelo, um ventilador, elétrico/voador e por aí vai.

Ele, inclusive, é uma das grandes novidades dos próximos jogos da série principal, Sun e Moon, em que a pokédex do personagem principal terá um Rotom dentro dela, o seu mais novo companheiro de aventuras.

Como é a pokédex com um Rotom dentro dela.

Mas qual a vantagem de possuir um Rotom no mundo real?

Bateria infinita.

Pensem comigo, ele mantém o tipo elétrico ao possuir os aparelhos, não o tipo fantasma. Isso significa que ele continua gerando eletricidade no próprio corpo, e usa essa energia criada para alimentar as máquinas que possui. Portanto, se eu colocar um Rotom no meu celular, por exemplo, o pokémon manteria o telefone sempre carregado. Nunca mais precisaria entrar em pânico quando a bateria entrasse nos 10% finais, quando desligo um monte de aplicativos e fico rezando para o celular não morrer.

Por que ficar só no meu celular? Poderia usar um Rotom como um no-break, mantendo meu computador ou meus consoles ligados mesmo quando acabasse a luz. Ou poderia colocá-lo no chuveiro elétrico e economizar na conta. Ou até mesmo num carro elétrico, me permitindo dirigir o quanto quisesse sem me preocupar com o preço da gasolina.

– Mas, – Replica um hipotético fã do Blitzle – qualquer pokémon elétrico poderia fazer as vezes de uma bateria e gerar eletricidade para alimentar suas máquinas, não precisa ser necessariamente o Rotom.

Sim, você tem razão, hipotético fã do Blitzle. Mas o Rotom possui uma vantagem em relação aos demais pokémons elétricos, que é o fato dele ser um fantasma. Logo, ele não precisa ser alimentado e, muito importante esta parte, ele não elimina dejetos indesejados pela casa. Sim, podemos dar Poké Puffs para ele como fazemos no Pokémon-Amie, mas não é necessário para mantê-lo vivo, porque ele já está morto, o que também evita diversos traumas ligados ao envelhecimento e morte de bichinhos de estimação.

Por isso que o Rotom é o pokémon perfeito para o mundo real: ele recarrega aparelhos elétricos, não precisa comer, urinar ou defecar e ainda por cima “vive” para sempre. E, se você tiver uma máquina de expresso, até café ele faz. Não fica melhor que isso.

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Vitor Takayanagi

O melhor meio de conhecer uma pessoa é pelos Pokémons que ela escolheu. Os meus foram: Squirtle, Cyndaquil, Torchic, Turtwig, Snivy e Froakie. Muito prazer. Caso interessar, visitem meu blog (só clicar no botãozinho aí no canto superior direito).