Factorio - fazendo logística ser divertida | Sem Tilt

Factorio – fazendo logística ser divertida


Você se lembra de Tempos Modernos, o famoso filme de Charlie Chapplin? Ele se passa dentro de uma fábrica. Imagine uma fábrica como essa, mas toda automatizada, com linhas de produção enormes, que começam com várias chapas metálicas, e em cada parte da fábrica essas chapas recebem uma nova alteração até chegar no produto final desejado. Um jogo sobre desenvolver essas linhas de produção seria parecido com o puzzle Infinifactory. Agora, imagine aquele típico cenário de jogo de sobrevivência em que você começa em um lugar desconhecido, sozinho, e precisa trabalhar os recursos desse lugar pra conseguir se manter vivo e voltar para casa, ou fazer a sua própria para se proteger de possíveis inimigos, como no sandbox Minecraft.

E se esses dois se juntassem para formar um jogo de estratégia em tempo real, que exija planejamento e raciocínio para montar sua base com eficiência e bem protegida dos inimigos, além de poder ser feita como você quiser, e todo aquele processo cansativo de obter recursos repetidamente fosse planejado para ser automatizado? Basicamente, isso tudo já é o Factorio, em acesso antecipado na Steam, com mais de 4 anos em desenvolvimento.

Em Factorio, você caiu em um planeta alienígena e deve extrair os recursos dele para construir um foguete e poder sair da superfície. Mas, como o nome implica, o jogo se trata de fábricas e, consequentemente, de automação. Quase todos processos devem ser automatizados o quanto antes, e embora os trailers do jogo possam assustar pela sua complexidade, toda essa teia de produção foi construída aos poucos: um extrator para carvão e outro para minério de ferro, garras mecânicas para mover os recursos extraídos dos extratores para esteiras, que levam para uma fornalha que vai derreter o ferro em placas, que nas fábricas são processadas em engrenagens, que por sua vez são processados em mais esteiras para aumentar mais ainda sua base. E em algumas horas você terá um chão de fábrica enorme produzindo diversos componentes para expandi-la ainda mais.

A parte estratégica provém da logística envolvida entre os processos. Seja no transporte ferroviário dos minérios extraídos de depósitos distantes, na criação de uma nova linha de produção sem precisar alterar as existentes, ou na disposição de linhas de defesa contra as criaturas nativas, parecidas com Zerglings, que respondem contra à poluição causada no planeta, tudo isso tentando ser o mais eficiente possível. O combate no jogo não é o foco, mas o conflito acaba sendo inevitável. O planejamento em Factorio se assemelha muito com uma complexa função sendo programada em uma linguagem de computação qualquer: normalmente ela recebe um ou mais valores de entrada no início para processá-lo e resultar num valor de saída desejado, e todos os processos que o valor inicial recebeu até chegar no fim devem ser planejados e executados com eficiência.

A arte gráfica de Factorio, que de longe parece tridimensional, na verdade é feita de sprites 2D e lembra jogos antigos como Majesty: Fantasy Kingdom Sim ou Rising Lands, que em breve vão receber um update de alta definição para que, mesmo olhando de perto, elas não fiquem borradas. Já a interface é meio feia mesmo, mas os desenvolvedores garantiram que ela só está assim porque não é a prioridade agora.

Em cerca de 8 horas de jogo, a quantidade de eventos que aconteciam ao mesmo tempo na minha base era ridiculamente grande. Milhares de peças, recursos e componentes sendo transportados de um lugar para outro, centenas de garras alimentando dezenas de fábricas e fornalhas, esteiras, trilhos e encanamentos distribuídos pela base para transporte de mais coisas (isso porque a minha base é considerada pequena em espaço), e mesmo assim o jogo continua rodando normalmente, sem travar em momento algum. A otimização feita pela Wube Software no seu próprio jogo é tão grande que fico me perguntando se ele roda naqueles computadores da Xuxa. E mesmo em acesso antecipado, além de todo o conteúdo já presente na versão original, ainda é possível a inclusão de mods, aumentando mais ainda o conteúdo, ou transformando uma partida multijogador, que é cooperativa, em competitiva.

Ao todo, as partes de Factorio que já estão tidas como prontas estão otimizadas e muito bem feitas, como deve ser em um jogo completo, e o que ainda não está pronto, como interface gráfica ou conteúdo de fim de jogo, tenho certeza que quando terminado será de tão alta qualidade como o que o jogo já oferece de melhor. Então se você gosta de estratégia, logística e de construir uma grande base, compre logo, porque ele pode ter seu preço aumentado no dia do lançamento, e os autores já deixaram avisado que não há planos para fazer descontos na Steam. O preço é de R$ 37,00 mesmo, e condiz com o que o jogo já oferece mesmo que ainda em acesso antecipado. E não se preocupe, os desenvolvedores estão tentando disponibilizar uma versão DRM-free para quem comprar pela Steam. Também tem na Humble Store por $20,00.

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Rodrigo Consoli

Gamer desde os 7 anos, sempre disposto a explorar coisas novas ou diferentes do que eu já conheço. Já que não achei uma faculdade de magia reconhecida pelo MEC, fico como cientista mesmo...