Black Closet - para um jogo de tabuleiro, é um péssimo game

Black Closet – para um jogo de tabuleiro, é um péssimo videogame


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Em Black Closet, o jogador toma o papel de uma aluna que acaba de ser eleita a presidente do Conselho de Estudantes de seu colégio, que é exclusivo para garotas. Como tal, deverá administrar os outros membros do Conselho para solucionar problemas que, caso não resolvidos, podem manchar a reputação do colégio e da própria presidente, e também deve eliminar uma espiã que se infiltrou no conselho. Entre as tarefas importantíssimas que ele executará estão: encontrar tiaras perdidas das alunas e remover sanduíches estragados da cafeteria.

Não nego que o jogo da Hanako Games traz uma combinação curiosa entre administração estratégica  com a vida escolar. É interessante estar em uma posição de poder em um colégio e ter a possibilidade de comandar a investigação de alunas ou mesmo a suspensão e expulsão de membros problemáticos. A inserção da espiã no Conselho ainda aproxima Black Closet de uma realidade que você veria no governo de uma nação em guerra, o que seria muito interessante se sua agenda não fosse tão infestada de missões obrigatórias extremamente triviais como convencer uma aluna a estudar para uma prova de geometria.

O caso da espiã também acaba se tornando um tiro no pé para o jogo, uma vez que esse elemento, presente desde o início e que parece que será determinante durante todo a experiência, é resolvido de maneira desleixada e em pouco tempo de jogo se tornando apenas uma entre diversas sub-tramas que incluem ainda romances e esquisitas organizações secretas. Não há um verdadeiro foco narrativo aqui. Sinceramente, é espantosa a nomeação da obra no IGF 2016 por Excelência em Narrativa.

E falando em foco, é curiosa a decisão da Hanako Games de emular um jogo de tabuleiro na plataforma videogame. Todo o jogo funciona à base de cartas e o sucesso geralmente depende de  um rolar de dados favorável. A própria arte genérica de personagens secundárias e dos ambientes remete aos backdrops de jogos de tabuleiro mais antigos como o clássico Detetive da Brinquedos Estrela. Por quê não fazer um jogo de tabuleiro de uma vez?

Se pensado em mecânicas de jogabilidade, Black Closet se aproxima, inclusive, do jogo de tabuleiro distribuído no Brasil pela Galápagos Jogos, The Resistance, em que uma resistência executa missões perigosas para derrubar o governo, ao mesmo tempo que lidam com espiões em sua equipe. Em temática, contudo, os jogos não poderiam ser mais diferentes. O último transfere um senso de importância às ações do jogador: toda fábrica de armamentos queimada é um passo essencial a mais para se alcançar o objetivo de depor os governantes vigentes e vencer o jogo. Já o primeiro simplesmente não consegue traduzir o mesmo sentimento a ações como “encontrar onde esconderam as provas de espanhol”.

Black Closet se apresenta como um jogo de administração de recursos e resolução de mistérios, mas se reduz a um incessante solucionar de pequenos problemas genéricos de estudantes genéricas sem qualquer progresso narrativo que valha à pena jogar até o fim para desvendar.

Para mais informações, visite o site oficial do jogo

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Daniel Baptista

Apenas um rapaz que acha que videogames podem mudar a maneira que alguém vê o mundo. Gosta de jogos questionadores anseia pelo próximo jogo que vai revolucionar o meio. Acredita piamente de que esse jogo será um indie!