6 games que deveriam virar filme | Sem Tilt

6 games que deveriam virar filme


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Games, para muitos, já são considerados uma arte. Não é para menos, afinal, eles agregam (ou pelo menos buscam agregar) o que há de melhor no cinema, na música e na literatura, criando um jogo com belos gráficos e cenografias, trilha sonora marcante e enredo memorável.

É bem verdade que são poucos os jogos que conseguem alcançar esse patamar, e muitos deles são considerados clássicos eternos. Mas para unir ainda mais as artes, muitos deles viraram filmes. Essa lista é sobre aqueles que não conseguiram essa façanha, mas deveriam.

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Aviso que não incluirei aqui jogos que já têm adaptações cinematográficas, como Resident Evil, Hitman, Prince Of Persia, Max Payne e… Need For Speed.

Sim, Need For Speed ganhou uma versão pro cinema.

Veja abaixo 6 exemplos que seriam um investimento infinitamente mais sábio:

 

Adoooooro tsuru… Ah, calma aí…

Heavy Rain

Vamos começar pelo óbvio. Heavy Rain é um “jogo sem jogo”, fortemente calcado em sua incrível narrativa, grande interatividade e possibilidades de escolha, além de um final de cair o queixo. Sua história trata do desaparecimento de Shaun Mars, um garoto comum, filho de Ethan Mars, um arquiteto que acabou de perder o outro filho, atropelado apenas 6 meses antes. Esse desaparecimento é rapidamente ligado ao Assassino do Origami, um serial killer que rapta crianças e deixa-as presas para morrerem afogadas com a água da chuva. Ethan recebe então, uma caixa com 5 origamis, cada um contendo um desafio que liberará uma pista para o local onde seu filho está preso. Juntam-se à busca Scott Shelby, um ex-policial trabalhando como detetive particular, Norman Jayden, um investigador do FBI e Madison Paige, jornalista que acaba se envolvendo com o caso.

Além da reviravolta impossível de se prever no final, o jogo é marcado pela ausência de game over. Se algum dos quatro protagonistas morre, ele morre e pronto, fora do restante do jogo. A sensação de efemeridade presente no jogo promove uma tensão que raramente experimentei com outros games. Como cereja do bolo, a trilha sonora de Heavy Rain é impecável: densa, sinistra, amedrontadora, intimidadora e te arrepia ao menos uma vez a cada 15 minutos.

Por que deveria ser filme?

O jogo possui uma fotografia espetacular, diversos momentos de tensão e apreensão, drama, romance e aventura. Seus personagens são fortes, envolventes e não saem de seu consciente e subconsciente tão cedo. Além do mais, o diretor poderia escolher qualquer um dos 17 finais possíveis para concluir seu filme.

Qual o diretor para a adaptação?

Pode parecer estranho, mas imagino Daren Aronofsky dirigindo o longa, levando o filme pela característica soturna e pessimista da história do game e transformando a experiência em algo ainda mais visceral.

PS: Há informações que um longa-metragem de Heavy Rain está sendo produzido, mas como nem o elenco foi divulgado ainda, decidi incluí-lo na lista mesmo assim. O roteiro da provável adaptação será escrito por David Milch, autor de séries como Deadwood e NYPD Blue.

 

“Tá vendo ali? Foi bem naquela casinha que eu conheci a Carmelita…”

Red Dead Redemption

Ah, o velho oeste! Pano de fundo para inúmeros filmes e mesmo assim, uma ambientação que parece nunca se esgotar. Red Dead Redemption parece se encaixar perfeitamente nesse quadro. A obra-prima da Rockstar nos traz a árdua batalha de John Marston, um ex-bandido, assassino e saqueador para conseguir ter sua família de volta (já sabemos que o papel dele no cinema seria de Harrison Ford, certo?), se redimindo pelos seus crimes ao se entregar para a polícia seus antigos companheiros de gangue.

À primeira vista, Red Dead Redemption não parece ser muito original, ou mesmo envolvente. Mas definitivamente tudo muda na primeira hora do jogo. “Ah, essa última missão foi divertida, vou fazer mais uma.” “Nossa, matei vários caras agora, acho que só vou falar com o xerife mais uma vez e ver o que ele tem pra mim e chega por hoje!” E de repente são 4 da manhã. Se você esteve na pele de John Marston alguma vez, você sabe do que eu estou falando. E quando você termina o jogo, você chora boquiaberto por tanto tempo que já são 4 da manhã novamente.

Por que deveria ser filme?

Os personagens são incrivelmente bem construídos, divertidos, críveis e criam laços afetivos com você que te farão esquecer sua ex-namorada rapidinho. Seu coração, muito mais do que seus dedos, será de Mr. Marston sem muito esforço. Isso pra não falar da trilha sonora. Composições primorosas aplicadas com perfeição em todos os momentos em que o jogo necessita delas. Definitivamente não é à toa que, em 2010, quando foi lançado, Red Dead Redemption ganhou os prêmios de melhor jogo, melhor personagem principal, melhor personagem novo, melhor trilha sonora, melhor atuação de dublagem, melhor final e melhor roteiro.

Qual o diretor para a adaptação?

Depois de Django Livre, resta alguma dúvida de que seria Quentin Tarantino?

 

Batman 1 x 0 Coringa

LA Noire

Ok, outro game de investigação focado na história. Mas este aqui é ambientado em Los Angeles nos anos 40. Poucas coisas são mais legais para se adaptar do que isso.

LA Noire acompanha os altos e baixos da carreira de Cole Phelps, um ex soldado da Marinha americana, na polícia de LA, começando como um simples investigador e subindo até a divisão de narcóticos. O game é envolvo por um mistério envolvendo Cole, decisões precipitadas na Segunda Guerra Mundial, tráfico de morfina e romances extraconjugais. LA Noire mistura elementos de investigação, como busca por pistas e um inovador sistema de interrogatório, no qual você deve analisar a expressão facial, muito bem captada pela equipe da Rockstar, para determinar se o suspeito está falando a verdade ou não, com momentos de pura ação, com tiroteios e perseguições de carro.

Por que deveria ser filme?

O nome do jogo consiste em duas palavras: LA e Noire. Se isso não é motivo suficiente para virar um filme, eu não sei o que é. Mas se você quer mais, os personagens são muito consistentes, as narrativas, tanto a principal quanto a paralela, são bem construídas, e os crimes que Phelps investiga são intrigantes.

Qual o diretor para a adaptação?

No mundo ideal (claro, porque essa lista é totalmente realista quanto às possibilidades aqui apresentadas), Alfred Hitchcock, sem dúvida. Mas pensando em diretores que ainda estão entre nós, eu diria que Martin Scorsese definitivamente faria um grande trabalho.

 

“Calma, no três a gente grita ‘Surpresaaaa!’, ok?”

The Last Of Us

The Last Of Us não é um jogo de zumbis. É um jogo de humanos. Seu conto perturbador da pura amizade, cumplicidade e confiança entre Ellie e Joel vai mais fundo do que pode parecer em um primeiro momento.

Joel, depois de perder sua filha no início do apocalipse zumbi, se vê lutando por sobrevivência 20 anos depois. O acaso o leva a encontrar com Ellie, uma garotinha que pouco a pouco conquista seu coração e o nosso também, apesar do seu jeito independente e mal educado. Tudo indica que Ellie é a única pessoa imune ao vírus de que se tem notícia, então sua sobrevivência é vital. Contudo, para ela, o mais importante é a sobrevivência de Joel. Definitivamente, The Last Of Us é um jogo que vai muito além do que qualquer jogo de zumbi já foi.

Por que deveria ser filme?

O game tem uma história que foge completamente do básico estereótipo de contos de terror com zumbis. Ele não tem hordas e hordas infinitas de inimigos, sua munição é bem escassa, seus apenas dois personagens principais são incrivelmente bem trabalhados e se relacionam de maneira sutil, mas muito profunda. The Last Of Us traria uma grande fuga do óbvio dos filmes de zumbi atuais, com seu enredo incomum e espetaculares momentos de tensão, cheios de poderosos minimalismos, seja na quantidade de munição disponível ou na aparição de inimigos, que apesar de esparsos, são difíceis de matar e principalmente de enganar.

Qual o diretor para a adaptação?

É uma tarefa árdua encontrar um diretor para um filme violento e sangrento de zumbis, mas ao mesmo tempo tão sutil e delicado em suas relações pessoas. Mas acredito que os irmãos Coen seriam bem indicados para o caso.

 

“Fala aqui pro tio Paçoca o que aconteceu, garotinha.”

BioShock (Série)

Desde sua estreia em 2007, a série BioShock conquistou inúmeros fãs pela sua dinâmica jogabilidade, personagens macabros e inesquecíveis, mas principalmente pelos seus enredos surpreendentes e misteriosos.

Peguemos, por exemplo, o último lançamento da série, BioShock: Infinite. Uau. Se você já terminou o jogo, me entende perfeitamente. O universo passado-futurista criado pelo time da 2K Games (time inclusive que deve lançar jogo novo em breve, já ficou sabendo?), seja em Rapture ou em Columbia, é um deleite para os olhos. As canções em gravações mais rudimentares que as de Robert Johnson, os vídeos mais pitorescos que os primórdios do cinema, e tudo isso ambientado num cenário futurista com cidades subaquáticas e ganchos acima das nuvens. Tudo isso sem falar das maravilhosas histórias cheias de reviravoltas.

Por que deveria ser filme?

Primeiramente, na minha opinião, deveria ser um filme para cada um dos três jogos da série. Dito isso, BioShock consegue manter sua atenção durante todos os games, te prender na poltrona enquanto joga e não te deixa esquecer tão rápido suas histórias. Tão surpreendentes quanto A Ilha Do Medo ou Se7en, os três jogos, com seus três enredos distintos, porém interligados, juntamente com seus personagens fortes (vide Big Daddy) seriam um prazer de assistir nas telonas.

Qual o diretor para a adaptação?

Vamos ver… Um diretor para filmes com jogadas psicológicas, enredos repletos de reviravoltas, truques da mente e personagens misteriosos. Hmm.

Eu sei, eu sei, eu sei!

M. Night Shyamalan.

 

“Vamos lá, gente! Todos os passos do começo, como ensaiamos!”

Final Fantasy X

RPGs são conhecidos por suas bem elaboradas histórias. Aliado a isso, um sistema de combate eficaz, dinâmico e variado é encontrado em todos os grandes games do gênero. Mas Final Fantasy X levou isso a outro patamar.

Seu sistema de combate é altamente estratégico em determinadas batalhas, e ao mesmo tempo é simples o suficiente para não atrapalhar a fluidez do jogo ao longo dos combates aleatórios. O sistema por turnos, típico da série Final Fantasy, ganha um bônus com a adição da sequência de turnos visível para o jogador, tornando a estratégia mais fácil de ser desenvolvida. Mas o grande mérito de FFX está em seu enredo. À primeira vista, parece ser apenas um conto sobre o romance entre Tidus e Yuna, mas acredite, ele vai bem mais a fundo em diversos temas ao longo das mais de 40 horas que você deve gastar no game.

Por que deveria ser filme?

Em apenas um jogo, Final Fantasy X conseguiu discutir temas como amor, casamento por interesses alheios ao afeto entre os noivos, relação conturbada entre pai e filho, um grande questionamento à religião e como seus adeptos podem ter suas crenças modificadas, aceitação do diferente, superação de traumas da infância, o que é viver e o que é morrer, perda de família, o dever de se cumprir uma promessa e a união em busca de um ideal. Se algum outro jogo conseguiu abordar tantos temas distintos e com o nível de profundidade de FFX, eu não conheço. Me diga nos comentários que jogarei logo em seguida. Na verdade, acredito que um filme não bastaria para abordar a complexidade na narrativa. Seria necessária uma trilogia, ou então uma série para TV.

Qual o diretor para a adaptação?

Peter Jackson, filmando na Nova Zelândia. Sem mais.

 

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